N°1 Les Enfants chiants

Posté le 14 juillet 2012

 

N°1 Les Enfants chiants

Gravure: Jean-Pierre Lipit – Texte: Daniel Simon

Vernissage Chez Kasba, novembre 2011

Un film de Jacques Deglas …

http://traverse.be/kasba-expo-les-enfants-chiants.php 

Daniel Simon lit ( Podcast ):Lesenfantschiants.mp3

Lectures, choeurs et reprises par la comédienne Carmela Loncantore qui en « redemande »…

Merci à chacune et chacun…

Photos Jack Keguenne

Voir textes et gravures sur le Site: http://www.traverse.be/feuillets-de-corde.php

Version PDF: fichier pdf corde1
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Jean-Pierre Lipit dans Kasba

Maurice Sévenant et Daniel Simon

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DS et Marianne Casimir

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Contributions à Les Enfants chiants:

1. Jean-Louis Sbille/ Monologue de machine à laver

http://www.traverse.be/texte_view.php?id=69 (1ère partie)

http://www.traverse.be/texte_view.php?id=70  (2ème partie)

2. Antonella Daiena /Julia 

http://www.traverse.be/texte_view.php?id=75

3. Pierre Ergo/ Le ministre et le banquier

http://www.traverse.be/texte_view.php?id=76

4. Daniel Simon lit  Podcast :Lesenfantschiants.mp3

5. Interwiew à la Foire du livre belge de Uccle 2011 par Edmond Morrel pour « Demandez le programme »

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Les enfants chiants / As crianças chatas

 

As crianças terríveis

Ajudam-nos a esquecer

As crianças chatas.

 

Não duvidem, eu fui uma,

Não duvidem,  vocês também o foram,

Dessas crianças invencíveis

Que nós éramos e que continuaremos a ser

Uns empecilhos na mixórdia espérmica,

Entre óvulos tristonhos

E amores pick-nick

Fizemos o nosso nobre destino,

Putos pobres e putos chochos,

Mas o tempo passou

E o pior do grupo

Já percebeu que passar e repassar

As lágrimas sob a máquina de arar

Faz crescer um idiota ou um triste imbecil

Dessa antiga criança dissolvida na ilusão

Das infinitas festas. “Eu quero, eu quero, eu quero!”

 

E vejam quem entra em cena

Os pais, frescos e novos, os heróis de hoje,

Progenitores apressados,

Anafados e felizes por concentrarem o mundo

Mais uma vez em líquidos amnióticos,

Um bebé está a caminho, um pequeno deus risonho

Ouvidos tapados,

Já está, a criança nasceu e a felicidade é pontual,

Enfim, começa a farsa.

 

Muito depressa, elas engolem, e fungam e emborcam

Litros de soda, rebuçados e açúcar,

Enquanto o Senhor – pelo menos ao Domingo está presente –,

Cavalga a nobre esposa, e o contrário também acontece,

O cansaço é amigo das igualdades frouxas,

E as crianças, querido? E as crianças, querida?

Esparramadas diante dos plasmas

Sorvendo, babadas, imagens sem valor,

Gritam, choramingam e comandam

A tropa parental que se põe logo em sentido

Para acalmar a passarada insolente e risonha

Às vezes traumatizada por antigos males,

Basta escutar no meio do barulho das famílias,

Estas crianças sem piedade têm nomes encantadores,

Heróis do seu tempo, nomes que damos aos nossos caniches,

Crianças de calendário e crianças de Domingo,

Dizemos-lhes bem dos pintores e escritores enfadonhos,

Crianças repetitivas e do “não há azar”,

Crianças entediantes e de longas ausências.

Crianças chatas…

E vem-nos o sorriso.

Melancolia, sentimento de partilha,

Vingança, enfim, mínima,

Sejamos honestos, desejo de liquidação

(“saldos, fim de stock”)

Estupefacção diante das crianças Titanic,

Tristeza por vê-los atrás da falsidade,

Pais tão tolerantes, tão, como dizê-lo…

Vaporosos, voláteis, volúveis,

Munidos de ajudas psíquicas e de argumentos sociais,

Pais frustrados e tristes,

Pais marcados pelo indefinidamente

(correr, levantar, conduzir…),

Pais interessados, ligados, conectados,

Recompostos, abandonados, arruinados, vazios.

 

Crianças chatas, por toda a parte reconhecíveis:

Nos corredores das lojas, na escola,

Nos comboios, eléctricos e aviões,

Salas de espectáculo e de espera,

Visitas familiares, festas anuais e parques de atracções…

A vossa violenta presença dá-nos às vezes

Vontade de cravar os vossos pais às placas

Com a seguinte inscrição: “Aqui pagamos a pronto”.

Elas cercam-nos perigosamente

E seus caninos brilham

Em dias tristes é quando elas rondam.

Vemo-las a uivar à Lua

Todas as noites reclamam uma parte, um pedacinho da parte

Do que não está à venda: o tempo, a escuta e as respostas claras.

Mas nós não estamos aqui

Para lançar galhos de moral para a fogueira.

Temos lembranças muito vivas dessas crianças

E nós às vezes conhecemos a mágoa desse tempo.

 

Das novas crianças afogadas entre as vagas

E o açúcar assassino, traçámos aqui

Um retrato fiel, não as vemos

Como monstros em miniatura mas antes como crianças devoradas

Pelo Bicho-Papão, que ontem à noite já encheu

A pança com os exaustos pais.

O Diabo está vivo e anda por perto.

O flautista já nos tinha avisado:

Às vezes basta uma melodia para encaminhar

As crianças fascinadas para as profundas florestas

De onde não vêm mais… olhando à distância

O nosso mundo vazio no qual somos numerosos,

Agitados e infelizes, o coração tão longe do coração

E no bico a palavra que às vezes nos cai

Como um queijo mole no pequeno deserto

De faz de conta que é o nosso país.

CONTRA – ÉDITO

“Lentamente, examino as vossas ruínas.”

Achille Chavée

A publicação dos “Folhetos de cordel” pretende ser uma publicação “efervescente”, que crepita quando consumida… Um sonho com alguns anos: escrever regularmente um texto acerca dos podres do mundo em que vivemos… E de repente, pronto, aparece nos meses de Outono a “Literatura de Cordel” brasileira e a ideia fica clara: um gravador, um texto.

Esta divisão faz avançar o projecto. Primeiro com Jack Keguenne, que me propõe alguns artistas seus conhecidos que aceitaram, também eles, jogar o jogo e de crepitar connosco… Depois vem Pierre Bertrand que associa a sua editora nesta aventura (Couleurs Livres). Obrigado a todos.

Este primeiro número, “As crianças chatas”, impunha-se-me e deu mote: sem provocação, sem insolência gratuita, mas tentando captar o “ar do tempo”, esse que La Fontaine nos descreve tão bem: “Eles não morriam todos mas todos estavam doentes”(Os animais doentes da peste).

Duas vezes por mês lançamos um tema, um escritor, um gravador (e evidentemente que tudo isto por ser no feminino).

Os textos e as gravuras serão colocados na página / site da Associação  Traverse e disponível em formato áudio (Podcast).  Boa leitura, crepitem e até já!

 

 

 

 

 

 

 

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