N°3 L’amour Vache

Posté le Jeudi 19 juillet 2012

N°3 L’amour vache

Photos Ben Weisgerber

Lancement des Feuillets N°3 dans les environs d’une Saint-Valentin improbable

le dimanche 5 février 2012

à la Librairie 100 Papiers à Schaerbeek.

Merci aux artistes, invités et curieux….

Un film de Jacques Deglas …

http://www.traverse.be/l-amour-vache.php

Version PDF: fichier pdf feuillet3-par1-bd

Texte: Jack Keguenne – Gravure: Roger Dewint

N°3 L'amour Vache uuRDewint

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Roger Dewint

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Eric Piette

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Laetitia Nyirabagabe et Gérard Adam

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Coco Kunik

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Jack Keguenne

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Jean-Louis Sbille

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Anna Fernandez

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Lucie Van de Walle

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Roger Dewint et son épouse

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Claude Martin

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traverse @ 1 h 13 min
Enregistré dans Non classé
N°2 Moutons cochons

Posté le Jeudi 19 juillet 2012

Photo de l’En-tête: Benoît Weigerber

N°2 Moutons Cochons

Texte:Vincent Tholomé – Gravure: Jean-Claude Salemi

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http://www.100papiers.be/Site_3/Home.html

et

Un film de Jacques Deglas.| Visionner la vidéo

• Moutons Cochons  Lancement de Feuillets de corde N°2 « Moutons Cochons » avec Vincent Tholomé à la Librairie 100 Papiers en décembre 2011.

Le 18 décembre 2011, 16h30-18h30

Version PDF: fichier pdf corde2-2-bd

MOUTONS E m m D COCHONS
sobre NOUS
est EXACTE COPIE DE
notre NOTRE ENVIRONNEMENT
extérieur
de nous
bonne si
coupe sobres
nos et
visages de
carrés bonne
rasés coupe
de vus
près du
rien dehors
ni dans
personne nos
ne costumes
dépasse d’apparat
les carrés
limites et
qu’imposent tout
les sourire
rampes rien
d’escaliers ni
nous personne
lançant du
propulsant dedans
sur ne
orbite dépasse
un de
troupeau nos
de lèvres
fusées fuselées
fusant sans nuages
dans filant
le dans
monde le
sobre monde
et sobre
parfait parfait
rasé(s) troupeau
de parfaitement
près rasé
sont et
nos lessivé
intérieurs passé
sans au
nuages grand
submergés bouillon
soudain des
d’ondes eaux
sans s’écoulant
remous fluides
sans en
remords vagues
nous sans
inondent âge
et folles
nous et
baignent furieuses
et baignant
nous les
lavent failles
escarbilles fissures
et du
poussières dedans
débarrassant muselant
le nos
plancher chiens
nous nos
laissant chienneries
comme intérieures
un débordant
vide pourtant
une parfois
béance des
calme cuves
et des
sobre rails
nous se
séduisant répandant
fusant alors
elle train
dans fluide
le et
monde furieux
un renversant
jour le
oui monde
elle oui
nous ébréchant
comblera le
nous blanc
ceux parfait
de la et
queue blanc
de la du
ligne monde
d’autobus ce
ou cher
de la autobus
caisse ce
de bolide
supermarché rouleau
compresseur
NOUS nous
EXACTE COPIE DE muselant
NOTRE ENVIRONNEMENT l’intérieur

V.T.

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Carneiros Porcos

 

CARNEIROS

sóbrio

é

nosso

exterior

de

fino

corte

os nossos

rostos

quadrados

escanhoados

de

perto

nada

nem

ninguém

ultrapassa

os

limites

que impõem

os

corrimões

das escadas

nos

lançando

propulsando

para

o espaço

um

rebanho

de

foguetes

esfuziantes

dentro

do

mundo

sóbrio

e

perfeito

escanhoado(s)

de

perto

são

os nossos

interiores

sem

nuvens

submersas

de repente

pelas ondas

sem

redemoinhos

sem

remorsos

nos

inundam

e

nos

banham

e

nos

lavam

das escórias

e

das poeiras

desembaraçando

o

prado

nos

deixando

como

um

vazio

uma

lacuna

calma

e

sobre

nós

seduzindo

esfuziante

ela

dentro

do

mundo

um

dia

sim

ela

nos

preencherá

a nós

aqueles

da

fila

da

linha

do autocarro

ou

da

caixa

do

supermercado

NÓS

A CÓPIA EXACTA

DOS NOSSOS TEMPOS

PORCOS

NÓS

A CÓPIA EXACTA

DOS NOSSOS TEMPOS

nós

tão

sóbrios

e

de

fino

corte

vistos

de

fora

dentro

dos nossos

fatos

de cerimónia

quadrados

e

todo

o sorriso

nada

nem

ninguém

do

seu interior

ultrapassa

os

nossos

lábios

fuselados

sem nuvens

filando

dentro

do

mundo

sóbrio

perfeito

o rebanho

primorosamente

escanhoado

e

branco

levado

para o

grande

caldeirão

das

águas

escoando

fluídas

em

vagas

sem

idade

agitadas

e

furiosas

banhando

as

falhas

fissuras

do

nosso interior

amordaçando

nossos

cães

nossas

matilhas

interiores

transbordando

todavia

às vezes

das

cubas

dos

carris

se

derramando

depois

comboio

fluido

e

furioso

travando

o

mundo

sim

reduzindo

o

branco

perfeito

e o

branco

do

mundo

esse

estimado

autocarro

esse

bólide

cilíndrico

compressor

que nos

amordaça

o interior

Tradução, Helder Wasterlain

 

MERCI Helder!

Traduction: Helder Wasterlain (publié en français dans les Feuillets de corde N°2 avec Jean-Claude Salemi à la gravure…)

Photos Jack Keguenne

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Vincent Tholomé

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traverse @ 0 h 35 min
Enregistré dans Non classé
N°1 Les Enfants chiants

Posté le Samedi 14 juillet 2012

 

N°1 Les Enfants chiants

Gravure: Jean-Pierre Lipit – Texte: Daniel Simon

Vernissage Chez Kasba, novembre 2011

Un film de Jacques Deglas …

http://traverse.be/kasba-expo-les-enfants-chiants.php 

Daniel Simon lit ( Podcast ):Lesenfantschiants.mp3

Lectures, choeurs et reprises par la comédienne Carmela Loncantore qui en « redemande »…

Merci à chacune et chacun…

Photos Jack Keguenne

Voir textes et gravures sur le Site: http://www.traverse.be/feuillets-de-corde.php

Version PDF: fichier pdf corde1
N°1 Les Enfants chiants IMG_NEW-209x300

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Jean-Pierre Lipit dans Kasba

Maurice Sévenant et Daniel Simon

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DS et Marianne Casimir

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Contributions à Les Enfants chiants:

1. Jean-Louis Sbille/ Monologue de machine à laver

http://www.traverse.be/texte_view.php?id=69 (1ère partie)

http://www.traverse.be/texte_view.php?id=70  (2ème partie)

2. Antonella Daiena /Julia 

http://www.traverse.be/texte_view.php?id=75

3. Pierre Ergo/ Le ministre et le banquier

http://www.traverse.be/texte_view.php?id=76

4. Daniel Simon lit  Podcast :Lesenfantschiants.mp3

5. Interwiew à la Foire du livre belge de Uccle 2011 par Edmond Morrel pour « Demandez le programme »

SIMON-KEGUENNE-FLB-UCCLE-111120-1.mp3

SIMON-KEGUENNE-FLB-UCCLE-2.mp3

 

Les enfants chiants / As crianças chatas

 

As crianças terríveis

Ajudam-nos a esquecer

As crianças chatas.

 

Não duvidem, eu fui uma,

Não duvidem,  vocês também o foram,

Dessas crianças invencíveis

Que nós éramos e que continuaremos a ser

Uns empecilhos na mixórdia espérmica,

Entre óvulos tristonhos

E amores pick-nick

Fizemos o nosso nobre destino,

Putos pobres e putos chochos,

Mas o tempo passou

E o pior do grupo

Já percebeu que passar e repassar

As lágrimas sob a máquina de arar

Faz crescer um idiota ou um triste imbecil

Dessa antiga criança dissolvida na ilusão

Das infinitas festas. “Eu quero, eu quero, eu quero!”

 

E vejam quem entra em cena

Os pais, frescos e novos, os heróis de hoje,

Progenitores apressados,

Anafados e felizes por concentrarem o mundo

Mais uma vez em líquidos amnióticos,

Um bebé está a caminho, um pequeno deus risonho

Ouvidos tapados,

Já está, a criança nasceu e a felicidade é pontual,

Enfim, começa a farsa.

 

Muito depressa, elas engolem, e fungam e emborcam

Litros de soda, rebuçados e açúcar,

Enquanto o Senhor – pelo menos ao Domingo está presente –,

Cavalga a nobre esposa, e o contrário também acontece,

O cansaço é amigo das igualdades frouxas,

E as crianças, querido? E as crianças, querida?

Esparramadas diante dos plasmas

Sorvendo, babadas, imagens sem valor,

Gritam, choramingam e comandam

A tropa parental que se põe logo em sentido

Para acalmar a passarada insolente e risonha

Às vezes traumatizada por antigos males,

Basta escutar no meio do barulho das famílias,

Estas crianças sem piedade têm nomes encantadores,

Heróis do seu tempo, nomes que damos aos nossos caniches,

Crianças de calendário e crianças de Domingo,

Dizemos-lhes bem dos pintores e escritores enfadonhos,

Crianças repetitivas e do “não há azar”,

Crianças entediantes e de longas ausências.

Crianças chatas…

E vem-nos o sorriso.

Melancolia, sentimento de partilha,

Vingança, enfim, mínima,

Sejamos honestos, desejo de liquidação

(“saldos, fim de stock”)

Estupefacção diante das crianças Titanic,

Tristeza por vê-los atrás da falsidade,

Pais tão tolerantes, tão, como dizê-lo…

Vaporosos, voláteis, volúveis,

Munidos de ajudas psíquicas e de argumentos sociais,

Pais frustrados e tristes,

Pais marcados pelo indefinidamente

(correr, levantar, conduzir…),

Pais interessados, ligados, conectados,

Recompostos, abandonados, arruinados, vazios.

 

Crianças chatas, por toda a parte reconhecíveis:

Nos corredores das lojas, na escola,

Nos comboios, eléctricos e aviões,

Salas de espectáculo e de espera,

Visitas familiares, festas anuais e parques de atracções…

A vossa violenta presença dá-nos às vezes

Vontade de cravar os vossos pais às placas

Com a seguinte inscrição: “Aqui pagamos a pronto”.

Elas cercam-nos perigosamente

E seus caninos brilham

Em dias tristes é quando elas rondam.

Vemo-las a uivar à Lua

Todas as noites reclamam uma parte, um pedacinho da parte

Do que não está à venda: o tempo, a escuta e as respostas claras.

Mas nós não estamos aqui

Para lançar galhos de moral para a fogueira.

Temos lembranças muito vivas dessas crianças

E nós às vezes conhecemos a mágoa desse tempo.

 

Das novas crianças afogadas entre as vagas

E o açúcar assassino, traçámos aqui

Um retrato fiel, não as vemos

Como monstros em miniatura mas antes como crianças devoradas

Pelo Bicho-Papão, que ontem à noite já encheu

A pança com os exaustos pais.

O Diabo está vivo e anda por perto.

O flautista já nos tinha avisado:

Às vezes basta uma melodia para encaminhar

As crianças fascinadas para as profundas florestas

De onde não vêm mais… olhando à distância

O nosso mundo vazio no qual somos numerosos,

Agitados e infelizes, o coração tão longe do coração

E no bico a palavra que às vezes nos cai

Como um queijo mole no pequeno deserto

De faz de conta que é o nosso país.

CONTRA – ÉDITO

“Lentamente, examino as vossas ruínas.”

Achille Chavée

A publicação dos “Folhetos de cordel” pretende ser uma publicação “efervescente”, que crepita quando consumida… Um sonho com alguns anos: escrever regularmente um texto acerca dos podres do mundo em que vivemos… E de repente, pronto, aparece nos meses de Outono a “Literatura de Cordel” brasileira e a ideia fica clara: um gravador, um texto.

Esta divisão faz avançar o projecto. Primeiro com Jack Keguenne, que me propõe alguns artistas seus conhecidos que aceitaram, também eles, jogar o jogo e de crepitar connosco… Depois vem Pierre Bertrand que associa a sua editora nesta aventura (Couleurs Livres). Obrigado a todos.

Este primeiro número, “As crianças chatas”, impunha-se-me e deu mote: sem provocação, sem insolência gratuita, mas tentando captar o “ar do tempo”, esse que La Fontaine nos descreve tão bem: “Eles não morriam todos mas todos estavam doentes”(Os animais doentes da peste).

Duas vezes por mês lançamos um tema, um escritor, um gravador (e evidentemente que tudo isto por ser no feminino).

Os textos e as gravuras serão colocados na página / site da Associação  Traverse e disponível em formato áudio (Podcast).  Boa leitura, crepitem e até já!

 

 

 

 

 

 

 

traverse @ 22 h 16 min
Enregistré dans Non classé
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